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Bem-vindo ao Blog do Berçário Pé Pequeno!

Criamos este espaço para que nossos papais, mamães, colaboradores e demais interessados
possam trocar informações sobre o desenvolvimento dos bebês, rotina escolar, assuntos relacionados
ao universo infantil e tudo mais que surgir de inquietação, dúvida, medo, alegria, felicidade, etc, etc, etc...

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Como os bebês funcionam - Revista Super Interessante



Agora em Outubro/12 saiu nas bancas a edição de coleções da Super Interessante com o tema:
Como os bebês Funcionam.

Ainda estou lendo, mas não queria deixar para o final da minha leitura o comentário de que vale muito a pena adquiri-la.

Vejam mais informações no blog da editora:
http://www.maegeek.com/especial-superinteressante-como-os-bebes-funcionam-ja-esta-nas-bancas/
cionam-ja-esta-nas-bancas/

Priscila Zunno Bocchini

Oito maneiras simples de estimular as crianças a escovar os dentes

Ensinar as crianças como escovar os dentes exige paciência e muita criatividade, mas por mais trabalhosa que a tarefa se revele, você precisa insistir nela. "A partir dos dois anos, são criados os costumes que vão perdurar por toda a vida, os pais não podem se deixar vencer por uma birra ou uma crise de choro", afirma a odontopediatra antroposófica Carmem Silvia Patriani de Carvalho, especializada em psicologia. Até porque, com um pouco de insistência, a dificuldade vai acabar se transformando em motivo de festa e todo mundo vai se divertir na hora de ir para a pia em frente do espelho. Se você não vê a hora de atingir essa fase, veja as dicas dos especialistas para fazer com que a molecada até peça para escovar os dentes. 



Lição 1: O exemplo dos pais

Um dos passos mais importantes para estimular as crianças a escovar os dentes é o próprio exemplo dos pais. O dentista Marcos Moura, presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), defende que é muito mais fácil para a criança entender que a escovação faz parte dos hábitos saudáveis quando ela cresce em um ambiente em que a família, logo após as refeições, escova os dentes, usa o fio dental e higieniza a língua. Afinal, porque ela precisa passar a fita dental se o papai e a mamãe não usam? Os pais são um espelho para os filhos na maioria das situações, dê exemplo.
Momento família

Lição 2: Um momento família

Como as crianças copiam a postura dos adultos, fazer da escovação um momento divertido pode funcionar muito bem. A dentista infantil antroposófica Carmem Silvia sugere que pais escovam os dentes junto dos filhos, ao sair da cama e antes de se deitar. "Vale a criança escovar os dentes dos pais e vice-versa, o importante é demonstrar prazer pela escovação." Nessa hora, os pais devem aproveitar para checar se a criança está escovando os dentes de forma correta e fazer correções quanto a força (a gengiva infantil é muito sensível e pede movimentos delicados para não sangrar) e sentido dos movimentos da escova (circulares ao fundo e sobe-desce nos dentes da frente). 
Ambiente adequado - Getty Images

Lição 3: O ambiente adequado

Você já colocou seu filho de pé sobre o vaso sanitário para ele alcançar a pia do banheiro? Se fez isso, melhor não repetir. De acordo com a odontopediatra Carmem Silvia, é fundamental criar um ambiente seguro para a escovação infantil. "Já atendi vários casos em que a criança não gostava de escovar os dentes simplesmente porque tinha medo de cair ou porque já se machucou durante a tentativa de alcançar a torneira". Não estamos falando para você construir um novo banheiro, mas apenas para oferecer condições adequadas: em vez de colocar o seu filho em cima do vaso sanitário, ofereça um banquinho firme. Outra opção é usar um copinho com água para a criança poder enxaguar a boca em vez de se esticar na pia para alcançar torneira. 
De igual para igual - Getty Images

Lição 4: De igual para igual

Os pais precisam ser firmes com as crianças, mas isso não significa irritação ou voz alta. "Se for o caso, abaixe para conversar na mesma altura dele", afirma a odonpediatra. Para a especialista, é preciso explicar de forma carinhosa aos filhos que eles necessitam escovar os dentes e comentar os benefícios imediatos da higienização (gostinho bom na boca e dentes mais brancos) sem deixar de mencionar a prevenção às cáries. 
Brincar depois da escovação - Getty Images

Lição 5: Incentive oferecendo atenção

Participe das atividades que o seu filho tem prazer. Uma boa tática também é incentivar as crianças com mecanismos de compensação, como prometer brincar com ela, contar uma história ou ouvir uma música depois de escovar os dentes. A disposição calorosa e firme mostra que a tarefa é importante para vocês todos e estimula a criança a cooperar. Só não vale deixar para cumprir a promessa mais tarde ou seu filho pode perder a confiança no que você diz. 
Medo - Getty Images

Lição 6: Nunca ameace ou crie medos

Assustar as crianças não é uma boa saída, ela pode criar traumas que irão atrapalhar para a saúde bucal dela. O monstro das cáries é uma brincadeira de péssimo gosto, segundo o dentista Marcos Moura, presidente da ABHA. Além do fantasma do bichinho das cáries, muitos pais usam o dentista como uma figura má que tem um motorzinho capaz de torturar crianças desobedientes. "Falar para a criança que vai levá-la ao dentista para tomar injeção é um erro, a cadeira de dentista é para tratar os dentes e deixar o sorriso mais saudável, e não um local de tortura", afirma o presidente da ABHA.  
criança no dentista - Getty Images

Lição 7: consultar um profissional

Vá ao dentista com o seu filho e sente-se na cadeira com naturalidade, isso ajuda a combater qualquer tipo de medo. Se possível, leve seu filho a um consultório odontológico infantil-normalmente, eles são adaptados com um cenário agradável para a criança, colorido, com pia pequenininha, espelho e vários brinquedos educativos. "Na consulta, aproveite para tirar dúvidas e aprender como fazer e monitorar a limpeza bucal infantil", afirma a odontopediatra Carmem Silvia. No consultório, os odontopediatras ensinam as crianças a escovarem os dentes em frente ao espelho. 
Faça da rotina um ritual - Getty Images

Lição 8: Fazer da rotina um ritual

Criar um ritual para o hábito de escovar o dente é excelente. Existem pais que compram até fantasias para incentivar as crianças a ter prazer pelo momento da escovação, uma espécie de "operação contra as cáries", quando personagens entram em ação para fazer a limpeza bucal. A brincadeira pode ir muito além, com alguns artifícios como escovas de dente coloridas, que piscam ou apresentam desenho de personagens. "A música e os livros de historinhas específicos sobre a saúde  bucal também são grandes aliados", afirma a odontopediatra Carmem Silvia. 


Fonte: http://www.minhavida.com.br/familia/galerias/15726-oito-maneiras-simples-de-estimular-as-criancas-a-escovar-os-dentes#.UI539tf0pP8.email

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Rapte-me camaleoa!


Hoje comecei o dia ouvindo uma das minhas músicas e compositores favoritos, regravada por ele, Caetano Veloso e Maria Gadu, num esplendoroso dueto de deixar qualquer um boquiaberto:
Rapte-me camaleoa
Já citei outras músicas de Caetano aqui. Não é por menos, tenho sua discografia completa e procuro analisar sempre que tenho tempo, as minhas favoritas. Isso sem contar que músicas ativam a memória, e muitas me fazem lembrar momentos que fizeram a vida valer a pena.
Enfim, essa música é pra mim um mix de erotismo com afeto. Com muita sutileza, Caetano (que dedicou a música à Regina Casé), consegue através dos inteligentíssimos versos, mostrar que desejo e afeto podem andar juntos. E que apesar dele tanto ansiar por uma resposta/mensagem a toa, de um quasar pulsando loa (quasar=uma das maiores fontes de energia do universo / loa=em transe) ele finaliza com um francês adocicado, pedindo que ela se adapte ao seu ne me quitte pas (que ela não o abandone).
Em tempos de "50 tons de cinza", a música cai como uma luva (quem quiser a interpretação completa da música, pode me pedir, que eu envio). 
Recentemente a revista época escreveu uma matéria relacionando filhos a infelicidade. Ainda não tive a oportunidade de lê-la na íntegra, mas o trecho que consegui ler fala exatamente disso: como conciliar a vida a dois, tão prazerosa antes do nascimento dos filhos, agora com filhos?
Já falei sobre isso no ano passado, pedindo para os pais analisarem como anda a vida a dois.
Hoje, com essas brechas que a sociedade está nos dando e com as reflexões que fiz no trânsito ao me pegar cantando a música citada, deixo uma tarefa mais ousada pra vocês: Como anda a vida sexual/afetiva do casal?
Não precisam me responder. Apenas reflitam. Por que será que um livro tão mal escrito está fazendo tanto sucesso? Talvez porque ele esteja dando a possibilidade de se falar o não dito ou até mesmo de se repensar algumas atitudes. Talvez porque ele revele uma linda história de amor. Talvez porque no final... (ah, não vou falar o que acontece no final, porque a versão em português do terceiro livro está pra sair dia 01 e eu tive o privilégio de ler em inglês, por isso sei do final, mas nem todos vocês o fizeram  - leiam o final e depois entendam o que eu estou dizendo).
O fato é que uma vez que nos tornamos pais, parece que se torna incompatível sermos amantes. E isso é o que ajuda a trazer a infelicidade para o casal. Não dá pra ser "raptada" a qualquer hora, em qualquer lugar. A "cama boa" pode estar sendo ocupada por um intruso no meio da noite. 
E mesmo quando nos damos umas "férias" dos filhos (uma viagem de final de semana ou deixá-los dormir na vovó para esticar um jantarzinho), a culpa impede que este "quasar pulsando loa" seja tão "interestelar canoa".
Ousada sim a Época falar que filhos trazem infelicidade para muitos casais, sendo que o clichê é exatamente o oposto. Mas necessária para que repensemos nosso papel de pais e amantes nos dias de hoje. Para que possamos transcender essas barreiras e tabus que permeiam nossas vidas cor-de-rosa de papais e mamães.
Acho que estou meio prolixa hoje. Espero ter conseguido fazê-los entender meus pensamentos e refletir sobre eles.

Priscila Zunno Bocchini

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Reflexões sobre o cuidar


Cada dia que passa, podemos observar menos pessoas preocupadas com o cuidar. Cuidar da natureza, cuidar dos seus pertences, cuidar do outro.
E como isso está sendo passado para as gerações dos nossos Pés Pequenos? O quanto a criança não está preocupada se o seu livro de poup-ups rasgar, ou se perder a peça do seu brinquedo. A maioria não tem a cultura de fechar a torneira ao escovar os dentes, ou admirar uma planta sem arrancá-la. As mochilas são arrastadas na hora da saída, ficando imundas, rasgadas. Os brinquedos quebrados vão para o lixo e logo são substituídos por outros ainda melhores.
Estamos vivendo uma inversão de valores quando fazemos coleta seletiva, aquecimento a gás mas deixamos a nossa planta morrer de sede nesse clima seco.
E por falar em planta, o projeto de férias do primeiro ano do Passo foi fazer crescer o alpiste da cabeça dos bonecos ecológicos que eles fizeram durante o primeiro semestre. Os alunos tinham que decorar, colocar olhos, regar, cortar cabelo... enfim, deixá-los lindos para o primeiro dia de volta às aulas. 
Obviamente que isso causou um certo empenho e dedicação das crianças (e pais). E um prazer em cuidar de uma planta, por muitos deles. Meu filho, que acompanhei de perto, estabeleceu uma rotina de regar diariamente à noite, pois expliquei pra ele que as plantas só podem ser regadas logo cedo ou à noite, para não "cozinhar" a raiz durante o dia de sol. Quando o cabelo estava bem comprido, ele pediu que eu cortasse e fizemos um "penteado radical". O meu mocinho foi todo feliz para a escola no primeiro dia, munido de seu boneco com boca de zíper e olhos de botão, "como no filme Coraline" - palavras do meu Matteo. 
O Lucca, por sua vez, ao ver o irmão, pediu um igual. Fomos ao Tatuapé Garden e compramos um boneco pra ele. Era o irmão falar de regar, lá estava o Lucca, com o regador na mão.
Vocês assistiram "Corrente do bem"? Acho que é mais ou menos por aí.
Com isso, acredito que a escola me ajudou a fortalecer alguns valores importantes para os meus filhos. Mas mesmo assim, ainda acho que a maior responsabilidade é minha. Sou eu quem tenho que ensinar a cuidar... seja da planta, da água do nosso planeta, do cachorro, dos brinquedos, das pessoas ou da parede do quarto. Eu que tenho que passar valores de vida, de respeito, de preservação e até mesmo financeiros.
A era é da descartabilidade. Operadoras de celular ligam a cada 12 meses oferecendo novos aparelhos, e o que fazemos com os antigos? Lixo. Agora DVD não vale mais nada, a bola da vez é o Blu Ray. Brinquedos, filmes, jogos, estão tão disponíveis que compramos um novo a cada visita ao mercado. Hot Wheels então, nem se fale. É presente de padaria, que aliás, está montando uma verdadeira vitrine de atrativos para que nossos filhos nos convençam a comprar. O pão mesmo, esquecemos. 2 mochilas por ano, vários tênis e pares de sapatos. "Comeu, comeu, não comeu, lixo". Quantas vezes já não ouvi essa frase. E por aí vai...
É pra pensarmos sobre tudo isso que escrevo hoje. E, quem sabe, tentar mudar um pouquinho o mundo que vivemos, preparando nossos filhos para uma sociedade de respeito, de cuidado e de valor humano.

Priscila Zunno Bocchini

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sobre a chegada de um irmão


Hoje quero falar com vocês sobre um assunto muito pertinente:
O fato de entregar um presente ao irmão mais velho quando o mais novo nasce, dizendo que este trouxe para ele(a). Quem já fez isso? Quem já ouvir dizer que foi feito isso?
Procuro sempre dizer que as crianças são mais espertas que pensamos. Que temos que ouvi-las, compreendê-las, respeitá-las. Como podemos fazer isso com uma mentira? Como podemos fazer isso, tentando fazê-las crer que um bebê recém-nascido é capaz de comprar um presente para o irmão (ou trazê-lo das profundezas do ventre materno)?
Quando um irmão chega, este deve ser recebido com festa, alegria, presentes. E o mais velho deve saber disso desde o começo. E se tem alguém que deva ser presenteado, esse alguém é o bebê. Cabe aos pais, explicar ao filho mais velho que quando ele nasceu, também recebeu muitos presentes, muita festa e alegria. E que agora é a vez do irmão. E por que não mostrar as fotos do nascimento dele que comprovam tal fato?
O irmão mais velho sim, poderá escolher um presente para levar para o caçula na maternidade. Este pode ficar incumbido de abrir os pacotes, já que o bebê ainda não consegue. Ele pode ajudá-lo a brincar com os brinquedos, a escolher as roupas pra vestir. Cada coisa no seu lugar.
Por que será que estamos sempre evitando frustrações nos filhos? Nossos filhos precisam sim ser frustrados. O mundo não é cor-de-rosa, com estrelinhas piscando e mágicos da lâmpada para realizar os nossos mais esdrúxulos ou comuns sonhos. E nossos filhos precisam saber disso.
Não há nada de errado em vê-los "cair na real". Para isso existem os 9 meses de gestação. Para isso, podemos levá-los aos ultrassons para ouvir o coração do bebê batendo, pedir ajuda na compra do enxoval, escalá-lo para arrumar o guarda-roupas ou a mala de maternidade do pequeno que vai chegar. Para isso, podemos conversar, ler histórias, explicar como a vida é de verdade. Podemos participá-lo na hora do parto, fazendo-o esperar ansiosamente, junto com a vovó, pela aparição do irmão no vidro do centro obstétrico.
E nós também temos que aceitar que seremos pais de 2. Teremos que dividir nosso tempo, nossa atenção, nosso carinho, nosso colo. Não é um bicho de sete cabeças. Se dermos conta, eles também darão.
O que não podemos é viver num mundo faz de conta. Irmãos brigam, disputam, sentem ciúmes, cuidam, aprendem a dividir, se defendem. Uns mais , outros menos. Muito depende de como administramos os comportamentos dentro de casa, muito depende da personalidade de cada um.
Sei que muitos de vocês ainda pensam em ter um segundo ou terceiro filho. É por esse motivo que vos escrevo. É por esse motivo que encorajo muitos daqueles que só pensam em ter um, em ter mais de um. É por esse motivo que, quando me perguntam, oriento esperar o primeiro estar com 3 anos para o outro nascer.

Certa vez, escrevi uma história infantil que pretendo publicar (se encontrar alguma editora que me queira - rsrsrs) sobre a chegada do irmão. Obviamente que escrevi para o meu Matteo, quando estava grávida do Lucca. Mas essa história já repassei para muitos pais, cujos feedbacks foram muito positivos ao contar para seus filhos.  Quem quiser, é só me pedir que envio por e-mail (priscila@passoseguro.com.br).

Priscila Zunno Bocchini

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Reflexões sobre o tempo


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
Quem conhece essa música do Caetano Veloso? Linda, não é mesmo?
Vocês sabiam que os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo?
Uma khronos, que referia-se ao tempo cronológico, ou sequencial, o tempo que se mede.
A outra kairos, que representava um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece, a experiência do momento oportuno. A palavra kairos é também usada na teologia para descrever a forma qualitativa do tempo.
Obviamente que, cada vez que penso nisso, coloco-me a refletir sobre a vida. Sobre o quantum de tempo kairos vivencio cada dia da minha vida. Ou melhor, quais dos dois tempos eu consigo sentir mais presente no meu dia-a-dia.
Aí vou longe, penso nas coisas que faço, no meu trabalho, na minha família, na minha casa, nos meus amigos. Será que vivencio muitos kairos com eles? Será que o peixe que fiz de janta ontem, reponsável por reunir todos à mesa na hora do jantar, transformou o horário do jantar (19:00) em um momento especial?
E os bebês com quem convivemos? Observo na minha equipe um quantum de kairos, durante os khronos de alimentação, trocas, banhos, estimulaçoes?
Chego a conclusão que tudo é uma questão de prisma. O que pode ser um tempo qualitativo pra mim pode não ser pra você. Isso envolve valores, crenças, disponibilidade. 
Muitas vezes, ouço em visitas: Nossa, como você consegue trabalhar assim, com tanto barulho, tanta criança?
E pra mim isso é prazeroso. Amo o que faço. Esse tempo com as crianças pra mim é muito mais qualitativo que quantitativo. E para aquele que pergunta, provavelmente não. Ele prefere ficar ao telefone ou dirigindo. 
Lembrei-me do Pequeno Príncipe que falava assim:
"Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: Por que é que um chapéu faria medo? Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante.
Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender."

E você? Na sua vida, você consegue enxergar mais khronos ou kairos? Consegue ver as jibóias que engolem elefantes ou só enxergam os chapéus?
Faça um balanço. Veja se não está na hora de mudar. De quebar a rotina, de experimentar coisas novas.
Essa é a minha mensagem de hoje.
Priscila Zunno Bocchini

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Reflexões: Psique e soma


Hoje vamos falar um pouquinho sobre o psiquismo infantil. Já faz um tempo que não viajamos por esses caminhos, não é  mesmo?



É unânime na psicologia pensar que um filho nasce desde o momento que ele se estrutura no imaginário dos pais. Antes mesmo da concepção. Que mulher nunca brincou de mamãe-filhinha, ninou sua boneca ou trocou a roupinha?
Quando namorados, que casal não pensou quantos filhos queriam ter e quais nomes eles teriam? O que puxariam do pai e o que não puxariam da mãe.?
Enfim, são imaginários circulantes que fazem com que a ideia se materialize na concepção e, posteriormente, no nascimento.
Juntamente com todos esses desejos revelados, existem os velados, aqueles que nem pai e nem mãe sabem, mas que os acompanham pela vida a fora. São os inconscientes de duas pessoas diferentes, cujas funções maternas e paternas estão estreitamente relacionados às experiências vividas com seus pais e mães. 
Sempre que escrevo sobre isso me recordo daquela música da Elis Regina "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais".
Porém, isso não é tudo. Aliás, não é nem a ponta do iceberg. Tantos são os fatores determinantes da dinâmica estabelecida entre pais e filhos que poderíamos passar dias listando e não chegaríamos no fim. 
Portanto, vou procurar focar em apenas alguns.
Falemos, então, da relação dos pais entre si. Certa vez li sobre "o grau de investimento real e simbólico do pai aos olhos da mãe" que, juntamente com a qualidade amorosa estabelecida entre os pais do bebê e a gratificação obtida dessa relação podem levar à compreensão de fenômenos psicóticos e psicossomáticos no bebê.
 Ou seja, não é só a mãe responsável pelos sintomas na criança, segundo algumas teorias, mas também a relação entre os pais. Winnicott já falava isso, que o pai é a base que sustenta e apoia a mãe. 
Por que estou aqui falando tudo isso?

Por diversas vezes me pergunto muitas coisas sobre o comportamento dos nossos bebês. E também dos pais. Não existe certo ou errado, caminho pra felicidade. Mas, observo muitos deles escolhendo caminhos que eu jamais escolheria e  me pergunto sempre por que. Por que eu não escolheria? Por que eles escolheram? Por que tanto a mãe como o pai optaram por isso?
Prosseguindo um pouco na teoria psicanalítica, é sabido que todos os pais e mães não querem que seus filhos sofram onde eles sofreram. Porém, muitas vezes sem perceber, a criança é conduzida a este sofrimento. 
Como? 
Lerude fala que existe um imperativo social dos pais para que seus filhos sejam felizes. Ao tornar a felicidade do filho o objetivo dominante, a ponto de ditar a lei familiar, sendo esta o cerne do seu funcionamento em detrimento de outras conquistas no horizonte da família, ela poderá produzir um sintoma. Isso pode ocorrer devido à falta de flexibilidade que esta lei possibilitará aos integrantes da família. 
Lembrei-me de uma criança, logo que entrei no Pé Pequeno, cujos pais não permitiram que o irmão dançasse na festa junina pois a hora da dança era o horário que eles almoçavam. Ao questionar se eles não poderiam almoçar antes ou depois, a mãe disse que em hipótese alguma. Eles tinham hora pra tudo e seguiam rigorosamente aquela rotina imposta por eles mesmos.
Isso pra mim faz todo o sentido. Quanto mais super protetores forem os pais e quanto menos horizontes eles avistarem sem o objetivo direto de fazer seu filho feliz, mais chances de aparecer um sintoma físico como uma forma de válvula de escape no bebê. O "ladrão" (como da caixa d´água) do psiquismo. A pressão psíquica aumenta e alguma coisa precisa acontecer. Muitas vezes, essa "coisa" é a doença (respiratória, digestiva, intestinal, dermatológica - entre tantas outras).
Winnicott já dizia que é preciso falhar. Não podemos vislumbrar a perfeição. 
Obviamente que não podemos generalizar, achando que toda doença é psicossómática. Temos as viroses, as infecções bacterianas. Tudo no seu devido lugar, claro.
Só que,  se eu tenho uma doença respiratória como asma, por exemplo,  certamente estou mais propensa a pegar gripes, faringites, amidalites, e todas as "respitatites" que aparecerem. Ou seja, uma coisa puxa a outra. Desenvolvo uma doença psicossomática que me deixa mais susceptível a ter outras doenças e pra eu viver doente é um piscar de olhos.
Com essas minhas reflexões, coloco vocês pra pensar. Até que ponto o mundo está girando em torno do seu bebê, que até os 6 meses de idade é compreensível e justificável, mas que já passou dessa fase? Quantas vezes vocês, casais, conseguem um tempo para sonharem com algo diferente, planejarem um cineminha, um jantar a dois, uma viagem de final de semana? 
Assim como há tempo de plantar e de colher, deve haver o tempo de sonhar, de viver o sonho, de permitir que o sonho sonhe e de que você tenha novos sonhos.

Priscila Zunno Bocchini