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Bem-vindo ao Blog do Berçário Pé Pequeno!

Criamos este espaço para que nossos papais, mamães, colaboradores e demais interessados
possam trocar informações sobre o desenvolvimento dos bebês, rotina escolar, assuntos relacionados
ao universo infantil e tudo mais que surgir de inquietação, dúvida, medo, alegria, felicidade, etc, etc, etc...

Ah, você ainda não conhece o Pé Pequeno?
A hora é agora! Entre no site www.passoseguro.com.br e conheça essa querida Escola, instalada há 23 anos no bairro da Mooca, em São Paulo-SP que, ao longo desses anos, tornou-se referência em Ed. Infantil na região.

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de Abril - Dia do Índio

Comemoramos todos os anos, no dia 19 de abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril? 


Mural feito em homenagem ao Dia do Índio, pelo Jardim 1 da Escola Pé Pequeno.


Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste continente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”. No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, pois entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio. 
 Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os municípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais. 


Fonte: http://www.mensagenscomamor.com/datas-especiais/dia_do_indio.htm

E fica uma mensagem para vocês:

Um sábio índio descreveu certa vez os seus conflitos internos: 
"Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Eles estão sempre a brigar". Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a abriga, o sábio indio parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimentar".

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Educação e Escolariazação

Hoje tive o privilégio de participar de um evento sobre educação, com dois excelentes profissionais da área: Emilia Cipriano Cortez e Mario Sérgio Cortella.






A primeira falou sobre a educação infantil, mais específicamente para quem trabalha na área. Com muito louvor e leveza.


Mas o Cortella, ah o Cortella... Quem o conhece sabe o que estou dizendo (joga o nome dele no google e vejam o seu pequeno CV). 

Dos mais de 60 minutos de "aula" que ele nos deu, vou selecionar um pedaço para compartilhar com vocês:


Segundo ele, dois adventos da modernidade que mais atrapalharam a vida da família foram o microondas e a facilidade da aquisição dos produtos tecnológicos. 

Não que o microondas não seja prático, pelo contrário, a praticidade é tanta que afasta as pessoas. Antes, as pessoas se reuniam para cozinhar, colocar a mesa, aguardar para comerem juntas a comida fresquinha e quentinha. 
Hoje, quanto menos se faz, melhor. Cada um come em um horário, pois fica fácil esquentar a comida no microondas quando "bate" a fome. Ninguém mais senta pra comer junto, não se reune para cozinhar junto. E era justamente nesse momento, de todos reunidos à mesa, que se falava sobre o dia, que se discutiam assuntos, que se aprendiam coisas. 
Hoje se come vendo tv, ouvindo ipod, acessando o facebook ou os emails.  Era durante o jantar que os pais ensinavam os filhos sobre como se portar à mesa, como segurar um garfo ou não comer com as mãos. Sobre como é educado comer de boca fechada ou como não é educado comer toda a batata frita sem deixar para os outros. Que devemos esperar todos terminarem para comer a sobremesa e que não é nada bonito colocar mais comida no prato do que se pode comer.
Essas noções de convivência e de educação se perderam com o tempo. Hoje os pais nem têm tempo para observarem seus filhos comendo, quiçá corrigi-los ou educá-los em seus comportamentos.
Com a redução dos preços dos artigos antes considerados de luxo, como a TV, a casa que se reunia na frente da única TV, na sala, para assistir o telejornal ou a novela, passou a se desmembrar em quartos. Cada quarto com a sua TV, cada TV com o seu programa favorito. Com isso, o exercício da escolha coletiva, do preocupar-se com o desejo do outro, do viver em comunidade, perdeu-se.
Com tudo isso, não nos damos conta de quantas coisas estamos perdendo. 

Como ele mesmo disse: Não existe falta de tempo, existe prioridade. 
Se vocês priorizarem o jantar em família, o banho nas crianças, a democratização da TV e do rádio do carro, bem como tantas outras coisas, vocês estarão contribuindo para o desenvolvimento social, afetivo e emocional de seus filhos e seus de maneira saudável e educativa. Pois, trancrevendo suas palavras hoje: "na escola não se faz educação, se faz escolarização".
A escolarização é uma das partes da educação, mas não é a única. Educação se faz em casa, na escola, com os amigos, familiares, cada qual contribuindo de sua forma para a formação do sujeito. 

Terceirizar a educação dos filhos é uma das novidades da sociedade atual, mas nada eficaz quando se tem em mente que não vai ser a escola ou a babá quem vai ser, exclusivamente, responsável por ela. É também o exemplo dentro de casa,  o afeto atribuido às situações e ações, o acolhimento nos momentos de necessidade.

 É por essas e outras que a Escola procura fazer a sua parte, estimulando que a criança faça ao menos uma refeição com os pais, não incluindo no pacote o valor do jantar. 

É por essas e outras que procuramos partilhar conhecimentos, experiências, vivências, conceitos com a comunidade com o um todo. 
É visando tudo o que há de melhor que possamos oferecer aos nossos Pés Pequenos que nos preocupamos, como eu aqui ao escrever esse texto, em dividir os aprendizados e orientar vocês, pais, na árdua tarefa de educar um filho.


Bom final de semana,


Priscila Zunno Bocchini

terça-feira, 10 de abril de 2012

Fotos de Fevereiro e Março

Confiram:
https://skydrive.live.com/?cid=5ACAC1B17EC4ED20&id=5ACAC1B17EC4ED20%212288&sc=photos#cid=5ACAC1B17EC4ED20&id=5ACAC1B17EC4ED20%213006&sc=photos

O amor

Hoje recebi um email de uma mamãe com o seguinte texto:



DEFINIR O AMOR

Definir o amor é limitá-lo, encarcerá-lo numa redoma de palavras incompletas.

O que é o amor?

Esta pergunta foi feita para um grupo de crianças de 4 a 9 anos, durante uma pesquisa feita por profissionais de educação e psicologia.

E ninguém melhor do que uma criança, e a pureza de seu coração, para tentar explicar o que é o amor...

"O amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, porque sabe que isso fere os sentimentos da pessoa." Mathew, 6 anos.

"Quando minha avó pegou artrite, ela não podia se debruçar para pintar as unhas dos dedos dos pés. Meu avô, desde então, pinta as unhas para ela, mesmo quando ele tem artrite." Rebecca, 8 anos.

"Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, mesmo se conhecendo há muito tempo." Tommy, 6 anos.

"Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente." Billy, 4 anos.


"Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela." Chrissy, 6 anos.

"Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai, e toma um gole antes para ter certeza que está do gosto dele." Danny, 6 anos.

"Quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo, e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso. Aí você se surpreende, já que não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda!" Samantha, 7 anos.

"Há dois tipos de amor: o nosso e o amor de Deus. Mas o amor de Deus junta os dois." Jenny, 4 anos.

"Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso e ainda fala que ele é mais bonito que o Robert Redford!" Chris, 8 anos

"Durante minha apresentação de piano, eu vi meu pai na platéia me acenando e sorrindo. Era a única pessoa fazendo isso e eu não sentia medo." Cindy, 8 anos.

"Quando você ama alguém, seus olhos sobem e descem e pequenas estrelas saem de você!" Karen, 7 anos.


Confesso que me emocionei. Obviamente que tudo o que eles disseram está certo, mas o que mais me chama atenção é a simplicidade. Realmente, a pureza da criança permite extrair o valor e o significado do amor não apenas das palavras, mas das demonstrações. E o que não nos faltam são demonstrações de amor, não é mesmo?


Outro dia estava dando sopinha para um dos nossos príncipes, quando a sua mamãe apareceu de longe. Eu estava de costas para a porta mas fui capaz de perceber que ele estava mais eufórico do que o normal. Seu sorriso mostrava isso. Eis que olho para trás e vejo a mamãe com os olhos brilhando de felicidade ao ver seu filho animado com a sua presença. Em outras palavras eles diziam um para o outro: Eu te amo!


Temos um bebê que está com várias restrições alimentares e vejo a tia lendo pacotes de biscoitos, separando os alimentos do almoço, distraindo a criança com as frutas enviadas pela mamãe. Isso é amor!


Um dos nossos bebês que foram para o mini, tem um amor pela sua coleguinha, mascotinha da turma, e ele um dos mais velhos a protege dos grandões e dos perigos. Ele a chama de minha neném e parece um leão de chácara em volta dela. Isso é amor!


São tantas histórias, tanto carinho que renderiam um livro. Mas o mais importante disso tudo é que isso faz parte do nosso dia-a-dia. Isso é a nossa rotina. Receber e doar amor. Quem quer?


Abraços,

Priscila 

terça-feira, 27 de março de 2012

Dicas para decoração, lembrancinhas, locais e tudo mais de festas infantis!

Muitas mães me pedem indicações de buffets, lembrancinhas, sites de decoração, entre outras coisas para as festas dos seus filhotes.
Então, reuni aqui dicas de serviços que já conheço e recomendo. Quem quiser indicar também, basta comentar esse post com as indicações (por favor, indiquem quem vcs conhecem) que eu insiro no corpo do texto.


Lembrancinhas, convites e cia:
 

http://www.fabricadeagrados.com.br/
http://amorempapel.blogspot.com.br/
http://nani-biscuit06.nafoto.net/   
http://minhasmarias.blogspot.com.br/     
http://anaiarteva.arteblog.com.br/       
http://www.oficinalizu.com
http://www.elo7.com.br/oficinadeartelizu        


Bolos e doces:

http://alehyppolito.blogspot.com.br/


Decoração mesa:


 


http://www.elo7.com.br/anassuavesfestas/




Buffets:


Na mooca:

http://www.picyellow.com.br/
http://www.buffetgirasol.com.br/

sexta-feira, 23 de março de 2012

Equilibrando o medo - Reportagem da Revista Crescer

Mais do que se preocupar em eliminar os temores da infância, o primeiro passo para criar um filho com autoconfiança é justamente ensiná-lo a lidar com seus limites. Saiba aqui o que é preciso para harmonizar a questão com as crianças sem deixar de protegê-las

Cristiane Rogerio e Noêmia Lopes. Fotos Ricardo Corrêa. Ilustrações Carla Irusta

   Reprodução
Gabriela usa colant e sapatilha da Cyma Ballet, Tutu (Acervo), Sapatilha de Tip Toey Joey
Não há uma única aventura clássica em que o protagonista não tenha seus limites testados em uma série de situações. Os enredos sempre alternam entre ser destemido e os momentos em que o herói simplesmente trava. Do pavor de cobra do arqueólogo Indiana Jones, passando pelo medo de voar do Super-Homem, à falta de coragem de Frodo em diversas etapas de sua jornada em O Senhor dos Anéis, a “situação-teste” está sempre ali no roteiro.
Em nossas vidas acontece assim também. E quanto antes educarmos as crianças a lidar com seus impedimentos e buscar conquistas, melhor. O ponto alto aqui é o equilíbrio. Isso porque o medo não é apenas algo natural, mas necessário para nossa sobrevivência. Não há evolução sem algo a temer. É justamente o jeito de tratar isso que nos dá a chave para seguir em frente, pois não se pode viver em função dele. E aqui o papel dos pais é essencial. É preciso ser forte. “Pode parecer contraintuitivo, mas ajudar a criança a desenvolver autoconfiança envolve ficar por perto e observá-la saindo de sua zona de conforto. Isso exige coragem de sua parte. Quanto mais confiante e corajosa a criança se tornar, mais coragem você precisará ter para apoiar o crescimento dela”, escreveu o psicólogo australiano Anthony Gunn em Como Criar Filhos Autoconfiantes (Ed. Gente), lançado no final do passado no Brasil. Você entendeu certo: seu filho vai correr riscos.
Fácil não é, sabemos. E mais: não parece que hoje temos ainda mais medo que antes? Fora os temores ligados aos desafios do desenvolvimento (escuro, monstros, altura, ficar sozinho), há uma tensão geral, a sociedade está mais agressiva. Um dos maiores especialistas em transtorno de estresse pós-traumático do Brasil, o psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira-Santos, de São Paulo, assiste ao clima de pavor atingindo as crianças. “Elas estão vivendo um reflexo do medo dos adultos, que o transmitem em um conjunto de restrições”, diz ele, que criou no Hospital das Clínicas o Grupo Especializado no Atendimento a Vítimas da Violência Urbana (Gorip), e viu inúmeros casos em que os pais estavam sempre mais apavorados que os filhos, inclusive quando a violência acontecia com as próprias crianças. Por conta disso, nos sentimos mais expostos, mais vulneráveis e, por consequência, mais presos. Pura contradição. Temos medo, nos fechamos e quando nos fechamos ficamos menos capazes de enfrentá-lo, pois só a experiência pode ajudar.
A contradição continua quando pensamos que, para sobreviver aos tempos de hoje, há um segredo importante: autoconfiança. Está lá no topo de qualquer livro de autoajuda para se obter sucesso na vida. Crianças estimuladas a serem autoconfiantes desde cedo são mais curiosas, mais abertas ao aprendizado, mais sociáveis e mais propensas a serem felizes, dizem as pesquisas. Mas, antes de tudo, precisam ser e se sentir livres. “Eu ousaria usar a palavra paranoico, mesmo que entre aspas. Pais ‘paranoicos’ geram filhos fóbicos. Sabe aquele ‘não faça’, ‘olha isso’, ‘cuidado’, vai gerando uma criança com medo de tudo”, diz o psiquiatra. Isso não quer dizer deixar os filhos fazerem o que bem entendem, porque os limites também educam. Ele mesmo viveu isso na pele. Quando seu filho, hoje com 22 anos, quis se equilibrar em cima de um muro, ele deixou, mesmo querendo dizer não e sabendo que o menino poderia se machucar. “Fiquei com o coração na mão. É claro que não estávamos em um precipício e eu o tempo todo bem por perto sempre. Ele exercia uma liberdade com uma margem de segurança.”
Mas essa é uma dinâmica difícil de escapar. Exercer a autonomia de uma criança hoje parece mais um jogo de onde se perde mais ou menos.
Medo ou fobia? 
O medo é uma emoção natural do ser humano, um aliado à sobrevivência. Fobia é um medo excessivo, desmedido, que surge na presença ou previsão de encontro com o objeto que causa a ansiedade. “Um jeito de saber se está passando da conta é quando há sofrimento na criança e se a vida familiar fica limitada por causa do medo. Aí é hora de buscar ajuda”, diz Neuza Corassa, psicóloga de Curitiba e criadora do site medos.com.br.
   Reprodução
Manuel está de camiseta da Srta, Butterfly, Capa da Farofa, Bermuda da Green
O medo também entrou sorrateiramente na casa da escritora e ilustradora Silvana Rando. Quando a filha Verônica tinha 7 anos, a escola fez uma ação para falar do medo por meio das histórias. Mas foi por meio dos colegas que ela conheceu a lenda da loira do banheiro. Não deu outra: a menina não ia mais ao banheiro sozinha, nem mesmo em casa. “Ela nunca foi uma criança com muitos medos, mas vimos que ela começou a mudar a rotina, e não dizia por quê. Precisou de muito tempo para ela se abrir. Fomos incentivando que mudasse, mas sem pressionar”, conta a ilustradora. A história não parou por aí. Silvana preparava mais um livro quando viu que tinha o tema medo para compartilhar com os leitores. Assim nasceu o adorável Gildo (Ed. Brinque-Book) que dá nome ao livro (Prêmio Jabuti de melhor ilustração de livro infantil em 2011), um elefante que não se importa com montanha-russa, nem filmes de terror, mas que odeia bexigas. “Pensei em um medo que fosse mais neutro.” Mas ela fez mais: em uma espécie de “homenagem” às mães, incluiu pelo livro todo o desenho de uma pequena barata. Ela jura que nunca teve medo do inseto. “Quando criança tinha medo de gato brigando no telhado. Aquele barulhão me deixava apavorada”, afirma a escritora, fazendo coro a um temor comum aos bem pequenos, como o de Victor, 4, filho da designer Andréa Cristina Naliato Quitério. “Desde muito pequeno, ele tem medo de rojões e barulhos muito altos, como sons, buzinas e campainhas”, conta. Ela tem um palpite sobre a origem do incômodo. “Ficamos pensando se , sem querer, ajudamos a provocá-lo de alguma forma, quando ele ainda era bebê, pois, em dias de jogo de futebol, eu ficava atenta o tempo todo e, a cada barulho mais forte, corria até o berço para tampar o ouvidinho dele.”
A dona de casa Carla Alessandra Chiarella de Carvalho também desconfia que ela possa ter influenciado o comportamento da filha Giulia, 7. Ela teve uma depressão pós-parto diagnosticada quando a pequena já tinha 1 ano, mas até começar o tratamento, Carla viveu vários sufocos. “Se ela estava perto da escada, eu podia vê-la rolando, toda ensanguentada. Um horror”, recorda. Embora nunca tenha apresentado nada parecido antes, hoje a menina se apavora com mosquitos de banheiro e se recusa a tomar banho sozinha, diz que sonha com um ladrão entrando na casa e matando toda a família. “No banho, por exmplo, entro com ela e depois vou saindo de vez em quando, dizendo que vou pegar algo mas que estou por ali. Quero que ela vá se acostumando a ficar sozinha. Quando conversamos sobre seus medos, conto que também tenho os meus também e que sempre irei ajudá-la.”
A influência dos pais no medo dos filhos, claro, é importantíssima, para o bem e para o mal. Se medo se aprende? É possível. Você receia que seu filho herde seu pavor de insetos? Então, é bom procurar tratamento ou prepare-se para disfarçar. “Um aspecto é o da base genética. As regiões do cérebro relacionadas à sensação do medo podem ter mais ou menos sensibilidade de acordo com a predisposição genética do indivíduo. Existem evidências que comprovam: famílias de pessoas com ansiedade e fobias apresentam mais tendência a ter filhos também com ansiedade e fobias. Do ponto de vista comportamental, os pais têm determinado medo e modelizam para a criança o jeito de responder ou evitar certa situação”, diz o neuropediatra Mauro Muszkat, coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar (Nani), da Unifesp.
Educar pelo medo, então, nem pensar. Fuja da tentação de um “não vai lá atrás que está cheio de bichos” para poder segurar seu filho por perto. O tiro pode sair pela culatra. “Não deixa de ser uma forma rápida e fácil de exercer o controle sobre os filhos, mas que, ao longo do tempo, pode torná-los inseguros e ansiosos. Portanto, para educar um filho é preciso dispor de tempo e paciência para explicar tudo e até permitir que eles se machuquem (dentro de um determinado limite, claro!), de forma que eles possam levar a sério quando os pais disserem, no futuro, ‘não faça isso porque você pode se machucar e sofrer’”, diz Olga Tessari, psicóloga e escritora de São Paulo, autora do livro Dirija sua Vida sem Medo (Ed. Letras Jurídicas).
Saia da rotina 
Veja os truques do psicólogo Anthony Gunn retirados do livro Como Criar Filhos Autoconfiantes (Ed. Gente), para tirar seu filho da zona do conforto, que não têm nada a ver com correr perigo

Jantar diferente: na hora da refeição, use talheres trocados ou coma com palitos japoneses
Mudança de lugar: troque os lugares das pessoas na hora de jantar ou para assistir televisão ou ainda experimente comer a sobremesa debaixo da mesa de jantar (as crianças adoram isso!)
Desenho com a mão trocada: se for destro, desenhe com a mão esquerda e vice-versa.
Lendo do fim para o começo: leia uma história curta e com imagens, mas de trás pra frente.

Terror noturno
Embora aconteça em 40% das crianças até os 3 anos, não tem nada a ver com os medos da criança. “Ele aparenta um pesadelo, e acontece na fase do sono mais profundo, quando ia passar para o sono em que se sonha. Mas a criança não lembra de nada”, afirma a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinan, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono da Unifesp. Se passar de três vezes por semana, procure ajuda profissional.
Arte para os sentimentos
Quem acompanha as matérias da CRESCER não vai se surpreender: as artes também se encaixam como ferramenta preciosa aqui. As histórias, por exemplo, são ótimas maneiras de a criança se preparar para situações futuras. Ou até nominar o que ela não sabe expressar, como se fosse uma conversa com os nossos sentimentos. “Ao longo dos tempos a imaginação vem sendo usada assim, pela capacidade que o ser humano tem de exercer função simbólica. Ou seja, se não consegue entender o sentimento, projeta-se isso em algo com o que você consiga lidar. Assim a bruxa não é ameaçadora para a criança que ouve a história e sim libertadora”, diz a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima, autora de A Criança Pequena e suas Linguagens (Ed. Sobradinho). Por essas e outras, o Sesc Vila Mariana, localizado na zona sul de São Paulo, exibe até abril a mostra Você Tem Medo de Quê?, com peças de teatro de companhias premiadas que tenham o tema em seu repertório, e mesas-redondas e oficinas para crianças e pais. Pasme para a inspiração do projeto: os pais. “É instintivo, eles querem cuidar, mas, em geral, têm um comportamento que não ajuda: ou eles retiram a criança da plateia antes ou ao menor sinal de desconforto, ou tentam diminuir dizendo algo como ‘olha lá, é de mentirinha’. Pensando nisso, resolvemos não apenas montar um repertório focado no tema, mas também conversar com os pais, seja no final dos espetáculos, seja nos encontros que promoveremos ao longo da temporada”, afirma Rodrigo Gerace, animador cultural do espaço e responsável pelo projeto. E nada de assustar as crianças. Nenhuma das peças têm bruxas, monstros ou figurinos amedrontadores. “O foco é trabalhar o medo como sentimento e não como sensação”, conta.
Produzir arte também ajuda, pois é uma forma de a criança elaborar diversos conflitos, inclusive seus medos. O conselho vem da atriz Ligia Cortez, diretora da Casa do Teatro, que ministra cursos de artes em diversas linguagens para crianças a partir de 4 anos, e jovens até os 20, em São Paulo. “Para cuidar da autoconfiança da criança há algumas atitudes importantes. Primeiro, deixar espaço para a criança criar. Depois, valorizar o produto criativo dela, sem julgamentos. Muitas vezes os pais acham que o certo é o limpinho, mas não há certo e errado. Se o desenho está torto é o que menos importa. Hoje está tudo muito concreto, tudo pela técnica, mas temos que cuidar da formação humana das crianças.” Ela diz que quando a Casa abriu, em 1983, o principal problema das crianças era a separação. “Hoje é o medo de ser rejeitada”. Muitos alunos chegam indicados pelo psicólogo. “Mas aqui não se muda ninguém. O teatro é terapêutico, não é terapia. A criança consegue se expressar. Muda o jeito de ela lidar consigo mesma. O tímido vai ver que outra criança é mais tímida que ela e ainda assim conseguiu falar. E o mais atirado vai ver revelado uma insegurança escondida”, conta Ligia, mãe de Vitória, 25 anos, e Clara, 12.
O medo da rejeição acontece desde os tempos que vivíamos em aldeias, quando ser expulso de um grupo era um tipo de morte. Segundo o psicólogo Anthony Gunn, enraizamos isso. Em entrevista à CRESCER, ele aponta que, se o temor da criança for muito intenso, e passar dos seis meses, é hora de procurar ajuda. Em qualquer caso, ele alerta: “Respeite o medo, não importa o quão maluco ele pareça, encoraje a criança a encará-lo em passos graduais e seja um modelo para seu filho, inclusive na hora de ajudá-lo a enfrentar tudo”. Para que ele se sinta acolhido por você, a vida toda.
Os medos e suas fases
Eles estão ligados a etapas específicas do desenvolvimento, e o modo e a intensidade varia de criança para criança – têm relação com a personalidade dela, a dos pais, entre outros fatores. Com o crescimento e a maturação cognitiva e emocional, a criança vai encontrando estratégias eficazes para lidar com os medos, e sua ajuda é fundamental, claro.
No início, o que mais os assusta são barulhos ou luzes muito fortes.
A partir dos 2 anos, é frequente a criança começar a temer ser abandonada pelos pais e qualquer separação pode representar isso. Também nessa fase se verifica um aumento do medo dos animais, que costuma perdurar até por volta dos 4.
Perto dos 3, a imaginação assume um papel preponderante e aí chegam o medo do escuro, dos monstros, dos fantasmas, dos ladrões, entre outros. Aumenta na hora de dormir, momento em que a criança se sente “desprotegida”.
Aos 6, ela atinge uma fase de desenvolvimento que lhe permite encarar a morte como algo irreversível, perdendo o seu lado fantasioso e assumindo uma vertente mais concreta, daí o medo que os pais morram. Ele começa também a dar atenção para outros pontos, principalmente na escola, onde podem surgir receios ligados a essa nova etapa da vida e o medo de se expor.
Fonte: Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e terapeuta familiar de São Paulo (SP) e pesquisadora na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Infográfico: Alan Leitão
Fonte: Neuropediatra Mauro Muszkat, da Unifesp, e André Palmini, neurologista da PUC-RS 
FONTES: Anthony Gunn, psicólogo, autor de Como Criar Filhos Autoconfiantes (Ed. Gente) da Austrália; André Palmini, neurologista e professor da PUC-RS; Daniela De Rogatis, educadora e consultora da área de educação e família de São Paulo; Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra e psicoterapeuta de São Paulo; Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano e autora de A Criança Pequena e suas Linguagens (Ed. Sobradinho); Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e terapeuta familiar e pesquisadora na Faculdade de Medicina da USP; Mauro Muszkat, neuropediatra e coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar (Nani), da Unifesp; Márcia Pradella-Halliman, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono; Mônica Mazzo, diretora do Colégio AB Sabin; Luiza Elena Valle, psicóloga, professora da PUC-Minas e autora de Brincar de Aprender (Ed. Wak); Neuza Corassa, psicóloga de Curitiba e responsável pelo site medos.com.br; Olga Tessari, psicóloga e escritora de São Paulo, autora do livro Dirija sua Vida sem Medo (Ed. Letras Jurídicas); Priscila Canteri, coordenadora da educação infantil da Escola Santi; Rodrigo Gerace, animador cultural do Sesc Vila Mariana (SP); Ligia Cortez, atriz e diretora da Casa do Teatro, de São Paulo MÃES: Fernanda Leão, Maria Militão, Thais Yuri Tanaka de Almeida; Lidia Neves; Luciana Conti; Silvana Rando; Andréa Cristina Naliato Quitério; Carla Alessandra Chiarella de Carvalho